segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Lágrima

E era uma gota. Um solitária e solidária gota, feita daquilo que não se compreenderia e que não se poderia compreender. Era dor, paixão, ardor. Uma forma que escorria vagarosamente. Uma gota amarga, uma gota doce. Fruto de tudo e de nada ao mesmo tempo. Transparente, translúcida, rubra como o sangue e tão ardente quanto o calor de uma batalha.
Era uma gota. Só uma gota. Dessas que escorrem pela face e se prendem ao queixo em um sorriso melancólico, uma verdade indizível escrita somente em água e sal. Sim, era amarga, mas antes fosse amarga que enjoativamente doce, pois era no amargor que estava sua beleza adocicada.
E era uma gota, uma que secava na pele parecendo querer não abandonar o corpo do qual nascera - como quem pede desesperadamente para não se deixar levar, como quem implora por mais alguns segundos.
Era  somente uma gota, de suor, de sangue, de lágrima, daquilo que não se compreenderia, daquilo que não há de se compreender.

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