Queria, em minha suprema ingenuidade, que fosse de tal modo
diferente, de tal forma suave e pueril que tamanho resplandecer não se apagasse
em meio aquela branca e doentia cúpula... Queria que aquele lamacento
cinza-amarronzado perdurasse na limpidez astuta de um vale enrugado...
Não, jamais quereria este maldito sal bruto a secar-me a
face, nem tampouco desejava ver o brilhante se tornar opaco com as camadas de
poeira depositadas sobre a tez enrugada... Queria que o sussurro dos eucaliptos
não ficasse restrito ao papel amarelado e ao negro da tinta (a qual já me
lembra da negritude do que há de vir, os dias e sua marcha fúnebre -
literalmente) a canção é, e sempre será, mais bela quando entoada pela antiga
voz das florestas, aquelas mesmas com as ninfas e as sereias e os espíritos.
Aquelas florestas que me narrava e eu, como pura e ingênua criança, tão
arduamente desejava encontrar... Sim, as tuas florestas.
Queria que o abismo fosse somente ilusão de ótica, destas
incompreensíveis e indecifráveis, porém, isto talvez já o seja... Queria que o
portal do tempo, aquele que transportava os séculos nas tuas estórias, se
materializasse ao som daquela canção profunda e silenciosa que somente tu
sabias entoar, e que este portal pudesse então apagar os erros - genéticos e
humanos... Queria que a corda de teu violão não se rompesse e que ele não fosse
somente mais outra peça guardada no armário com uma sutil e longínqua e doce
lembrança. Queria que ele não ficasse esquecido, e que tomasse vida ao som
daquela voz - a tua voz - que preenchia cada milímetro da porta de entrada até
o fundo do quintal...
Queria... Queria... Queria que esses meus quereres não
fossem somente pequenos e enfadonhos diante da necessidade estática que tens. É
tão ínfimo. Tão inocente e tolo diante desta já esfarelada esperança que
alcança somente este âmbito do desejo e se perde nos fios ralos de teu cabelo
esbranquiçado... Sobram-me somente os eucaliptos, silenciosos e negros...
Negros como os dias que hão de vir. Negros como essa sensação amarga e o nó que
prende-se a garganta no tênue momento que largo a pena e me contento a ter
somente uma certeza... Esta única.
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