Musa, desce do alto da montanha
Onde aspiraste o aroma da poesia,
E deixa ao eco dos sagrados ermos
E deixa ao eco dos sagrados ermos
A última harmonia.
(Machado de Assis - Última Folha)
Ela foge, como uma criança malcriada, foge para qualquer lugar inóspito, ou qualquer país lunático, mas comigo jamais fica. Vem vez por outra, manda-me um cartão postal em letras garrafais com um pouco de conteúdo e o resto de blasfêmia, terminam por ser verdades, em meio as inverdades que ela solta, assim, ao vento, soltas por serem folhas de outono caídas como fios de cabelos ou flores passageiras - a murchar.
Sim, ela foge. Deixa-me só, abandona-me ao frio e no frio fico a imaginar se ela não é a errada, se ela está somente a brincar com este meu modo tão torpe e tão nebuloso de ser. Nebulosa é ela! A cantar-me as mais belas músicas, a sussurrar em meus ouvidos os mais libidinosos desejos, a encantar-me e então a lançar-me no porão, onde a espero. Espero sua presença sorrateira, seus passos descompassados, seu modo de quem viveu muito e de quem viverá muito mais.
Quando espero dela um algo mais, ela foge. E por que foge? Já não sei a resposta, só sei que se esvai como o álcool plantado naquele armário na cozinha, aquele vidro aberto onde por vezes me afogo a procurá-la, só que jamais a encontro. Voluptuosa volta, vulgar, em volúpia, somente a ver-me desfalecer ao admirar o seu ir e vir. Parece que há certo prazer em observar-me a implorar seu retorno, mas sua face é misteriosa, enigmática, jamais transparece um único pensamento e deve ser este o grande motivo pelo qual a adoro... Quando caio a contemplar-lhe o semblante, fico com certo prazer ao vê-la.
Em meu prazer, ela foge, cadê? Procuro em meio as gavetas, reviro tudo o que é nosso novamente em busca dela. Mas ela já se perdeu, quiçá nos braços de outro alguém, a gemer noturnamente nos leitos, ou brincar em um quintal de folhas e frutos. Quero-a de volta, não deveria querê-la, contudo, esta parte racional ela apaga cada vez que vem. E vindo, ela foge...
Sim, ela foge. Deixa-me só, abandona-me ao frio e no frio fico a imaginar se ela não é a errada, se ela está somente a brincar com este meu modo tão torpe e tão nebuloso de ser. Nebulosa é ela! A cantar-me as mais belas músicas, a sussurrar em meus ouvidos os mais libidinosos desejos, a encantar-me e então a lançar-me no porão, onde a espero. Espero sua presença sorrateira, seus passos descompassados, seu modo de quem viveu muito e de quem viverá muito mais.
Quando espero dela um algo mais, ela foge. E por que foge? Já não sei a resposta, só sei que se esvai como o álcool plantado naquele armário na cozinha, aquele vidro aberto onde por vezes me afogo a procurá-la, só que jamais a encontro. Voluptuosa volta, vulgar, em volúpia, somente a ver-me desfalecer ao admirar o seu ir e vir. Parece que há certo prazer em observar-me a implorar seu retorno, mas sua face é misteriosa, enigmática, jamais transparece um único pensamento e deve ser este o grande motivo pelo qual a adoro... Quando caio a contemplar-lhe o semblante, fico com certo prazer ao vê-la.
Em meu prazer, ela foge, cadê? Procuro em meio as gavetas, reviro tudo o que é nosso novamente em busca dela. Mas ela já se perdeu, quiçá nos braços de outro alguém, a gemer noturnamente nos leitos, ou brincar em um quintal de folhas e frutos. Quero-a de volta, não deveria querê-la, contudo, esta parte racional ela apaga cada vez que vem. E vindo, ela foge...
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