Da sofreguidão que o silêncio nos prega,
Desejo a pouca luz e abrigo cálido.
Da jornada que o tempo nos impõe,
Desejo a incerteza de todo amanhã.
Da escuridão pela noite pintada,
Desejo somente uma boa noite de sono.
Das luzes que o alvorecer nos emite,
Desejo não ver as manhãs de sol.
Da dor que o coração sente,
Desejo acreditar que é passageiro.
Das águas que lavam a face,
Desejo o não saber de onde escorrem.
Do aperto que nos é transmitido,
Desejo a pureza de um abraço.
Dos olhos inseguros de outrem,
Desejo as boas venturas e os bons olhares.
Das viradas das páginas amareladas,
Desejo uma esperança de melhora.
Das esperanças que as melhoras trazem,
Desejo a vida, pura, simples e atenta.
Da vida pregada em árduas penas,
Desejo somente a certeza de tê-la vivido.
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