Paciência. Dai-me. Por favor. Nem que seja apenas o suficiente para nas próximas horas implorar igual presente.
Paciência para nutrir minh'alma, paciência para suportar, paciência para acalmar meu amâgo, paciência para conseguir caminhar até o fim dessa estrada de pedras pontiagudas e gritar em alto e bom som:
- Consegui!
Impacientemente, tamborilo os dedos nas têmporas, marcando esse vagar interminável de segundos.
- Só mais um pouco, só mais um pouco - grita-me o relógio afixado na parede e eu pergunto:
- Pouco quanto? Pouco quanto?
As palavras são a fuga e elas saem, desordenadas, desatentas e despreparadas, apenas por sair. Naquele movimento inconscientemente coordenado os dedos escrevem enquanto o pulsar bombea-lhes sangue. O som da música abafada é o único sossego, a folha, a única companheira e amiga fiel, na qual deposito meus pensamentos soltos, pouco importa.
Vão lê-los? Não sei.
Vão entendê-los? Quem sabe.
Vão admirá-los? Talvez.
Contudo, o vagar é infindo, a espera eterna e na atemporalidade me perco. Os sentidos confundem-se, o sonho é complexo e difuso, algo sobre um relógio e sua voz rouca e pouco usada. E sobre um alguém que falta, um alguém que são vários, um faltar que abrange sentidos sem sentido. Acordo com uma estranha sensação:
- Estou presa em um sonho?
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