domingo, 27 de novembro de 2011

Despertador

Paciência. Dai-me. Por favor. Nem que seja apenas o suficiente para nas próximas horas implorar igual presente.

Paciência para nutrir minh'alma, paciência para suportar, paciência para acalmar meu amâgo, paciência para conseguir caminhar até o fim dessa estrada de pedras pontiagudas e gritar em alto e bom som:

- Consegui!

Impacientemente, tamborilo os dedos nas têmporas, marcando esse vagar interminável de segundos.

- Só mais um pouco, só mais um pouco - grita-me o relógio afixado na parede e eu pergunto:

- Pouco quanto? Pouco quanto?

As palavras são a fuga e elas saem, desordenadas, desatentas e despreparadas, apenas por sair. Naquele movimento inconscientemente coordenado os dedos escrevem enquanto o pulsar bombea-lhes sangue. O som da música abafada é o único sossego, a folha, a única companheira e amiga fiel, na qual deposito meus pensamentos soltos, pouco importa.

Vão lê-los? Não sei.

Vão entendê-los? Quem sabe.

Vão admirá-los? Talvez.

Contudo, o vagar é infindo, a espera eterna e na atemporalidade me perco. Os sentidos confundem-se, o sonho é complexo e difuso, algo sobre um relógio e sua voz rouca e pouco usada. E sobre um alguém que falta, um alguém que são vários, um faltar que abrange sentidos sem sentido. Acordo com uma estranha sensação:

- Estou presa em um sonho?

Nenhum comentário:

Postar um comentário