domingo, 27 de novembro de 2011

Soneto (a)temporal

Havia uma chuva fina a tocar a janela,
Um cair de águas lento e delicado,
Um pranto calmo e inconsolável
Que silenciosamente tombava ao chão.

Quieto, o fogo mal consumia a vela;
Sordido e puro, o ar continuava parado;
Não existia nada menos agradável
Além do pútreo suor da decomposição.

A gritaria congelava o ar
Dizendo ao tempo, com fervor:
- Não irás passar

O tempo impiedoso respondia
Com calma, sutileza e pudor:
- Já passei, esqueça-te da euforia...

Nenhum comentário:

Postar um comentário