domingo, 27 de novembro de 2011

A Falta do Nada

Quando há a quem culpar, o todo se torna mais aprazível, mas não te acovardes ao ponto de ousares levantar a mão em direção a mim e aos meus. Ache a quem depositar a tua culpa. Então, pergunto-te interessada, quem culparemos nessa rodada?

Ora, porque não o copo, sugiro-te, isso! Culpemos o copo que, enquanto cheio, foi o habitat e a morada de teu veneno...

Não, não! Não o copo, contradigo em seguida, culpemos a mão! É! Esta mesma. Que te afaga e te açoita na mesma rapidez na qual sucumbes...

Tratemos de fazer melhor e elaboremos uma terceira opção, arrebato enquanto pereces, afinal três indica a totalidade. O todo que não tens. A parte que te falta e sempre faltará. És somente um vazio a caminhar por entre os restos mortais de teus antepassados e a massacrá-los e a humilhá-los, arruinando em segundo o império que os séculos demoraram-se a erguer e solidificar. Sede uma poeira cósmica largada ao léu de teus próprios pesares. És o resto do nada, o vácuo de tua negritude interna.

Heis de culpar o veneno. Ora que ironia! Não foste tu a levá-lo afobadamente ao teu sistema digestório? Não foste tu que o apreciaste com perfídia, mesmo conhecendo a natureza vil dele?

Queres culpar algo? Argo-te por fim, culpa a ti mesmo e a tua ausência de ser, culpa tua inanidade e insensatez, culpa as moléculas orgânicas que formam aos teus tecidos necrosados, os órgãos que pulsam e movem esta tua existência medíocre e degradante. Esta involução subalterna que és, se não consegues achar o culpado por teus agouros, culpa então a ti mesmo e a essa tua falta de discernimento para não te sentires culpado.

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