terça-feira, 29 de novembro de 2011

A-to-mística

Um pouco de fisico-química para compreender a filosofia...


Naquela era, antiga e relembrada, sentaram-se a discutir o que formaria o todo e então foi concluído que a medida que se partisse, quebrasse, triturasse e moesse, fatalmente encontrariam a minúscula parte que constituía tudo.

Era indivisível e deram-lhe o nome de átomo (de sua língua a - não, tomo - divisão) destes haviam vários tipos, os esféricos, os cúbicos, os pontiagudos. Maciços e inseparáveis - assim também acreditei.

Acreditei que eram um ponto, destes que reluzem em meio a multidão, cuja a volta dos elétrons a sua camada de origem apenas o fazia liberar mais energia, energia esta para suportar nossos demônios, cultivar nossas hortas, colher de nossas plantações.

Deste pequeno corpo, poeira cósmica a pairar solta, foi-se descobrindo cada vez mais e a medida que mais se descobria, menos se ratificava e ainda menos se sabia. A Era era um pouco mais recente e descobriu-se que aquele ponto era formado por partes distintas, opostas entre si, contudo, devido a uma lei básica, continuavam unidas. Em uma mistura de analogia estranha e arquitetura alienígena, porém, teoricamente, era a ciência.

Pouco mais tarde, o dogma da inseparabilidade foi quebrado, assim como aquele de ser um só havia sido anteriormente. Agora esse ponto indivisível, era constituído de um sistema planetário - ou algo similar a este - e, ao redor de algumas estruturas positivas, orbitavam outras estruturas assim ditas "negativas", e nisto iam e voltavam com incentivos de pequenos pacotes, o problema foi quando eles se perderam...

Mesmo após a perda (ou ganho, dependendo do referencial) da carga - e consequentemente, equilíbrio - aquele nucleozinho continuou junto, as vezes apareciam alguns elétrons para acompanhar-lhes, todavia, como todos os outros, a energia lhes era dada e eles sentiam-se livres novamente.

Eram inseparáveis microscopicamente, unidas por leis invisíveis - literalmente - nem mesmo certos estudos podiam explicar... Sim, eram indestrutíveis e inseparáveis, então surgiu a radioatividade e de um núcleo fez-se vários...
 

3 comentários:

  1. Adorei o texto! Uma metáfora linda que se aplica a vários momentos da vida em si, desde a sociedade até o íntimo de cada ser humano.
    Mas eu acredito que às vezes os elétrons não se perdiam por que queriam. Às vezes a repulsão do núcleo era forte demais e eles tiveram que se afastar, mas apenas para formar novas ligações, para continuar estáveis, enquanto desejavam ainda ser um só átomo com aquele que eles consideravam indivisíveis antes.

    ResponderExcluir
  2. De forma alguma disse que eles se afastaram porque queriam, eles apenas receberam os incentivos necessários para não estar perto do núcleo, por parte deste ou de fatores externos...
    Agradeço o comentário. Toda e qualquer crítica, seja ela como for, é construtiva em si mesma. E é adorável ver as diversas interpretações de mesmas frases...

    ResponderExcluir
  3. Fico muito feliz que tenha gostado do meu comentário. A forma como você escreve suas histórias é belíssima, elas ao mesmo tempo que trazem entretenimento e identificação, trazem também, por que não dizer, o drama e a seriedade contida em cada cena. É a capacidade de seus textos de provocar em nós a reflexão de nossas próprias ações e história, baseados em suas filosofias, que os tornam uma dose de bom gosto.Mais uma vez, parabéns.

    ResponderExcluir